Bitcoin e a história do dinheiro

Bitcoin e a história do dinheiro

Em 2020 você ao mínimo já deve ter ouvido falar em Bitcoin, a primeira criptomoeda criada em meados de 2008 por uma entidade conhecida por Satoshi Nakamoto, a partir daí iniciaria-se um novo passo em uma jornada econômica e jurídica envolvendo o mundo e como ele percebe o dinheiro, ainda que já houvessem tentativas anteriores, o Bitcoin conquistou um nível de tecnologia nunca antes alcançado e garantiu o título de primeira moeda digital descentralizada.

Mas nosso objetivo nesse artigo é entender porque o nome “criptomoeda” foi atribuído a esse novo tipo de tecnologia e como a junção dessas duas palavras (criptografia e moeda) se deu sentido, especialmente em suas características de moeda com relação as moedas como conhecemos hoje.

Quando tudo começou

A charge retrata um dos problemas no sistema de escambo

Vale a pena voltar brevemente alguns milênios, época em que se praticava o escambo como única forma de comercialização do homem primitivo, que durou por séculos até que a necessidade de se encontrar uma equivalência tanto de esforço quanto de necessidade em relação as mercadorias que eram trocadas.

E por falar em necessidade, algumas mercadorias acabavam sendo mais procuradas que outras, como o gado, muito utilizado no transporte e alimentação, e o sal, que era um dos meios mais efetivos de conservação do alimento. Surge então a moeda-mercadoria, porém problemas antigos ainda persistem: Como fracionar as mercadorias? Como acumular riqueza se as mercadorias perecem?

Quando o homem descobriu o metal, passou a utilizá-lo não só para fabricar utensílios e armas anteriormente feitos de pedra ou madeira, mas como moeda de troca, a raridade de metais preciosos como a prata e o ouro conferia uma característica que qualquer moeda precisa ter: a escassez.

A adesão da moeda metálica era uma realidade, ainda que o benefício do fracionamento tivesse que ser aferido (com balanças), a inovação também trouxe novos problemas, os falsificadores descobriram a Pirita e inúmeras maneiras de burlar verificações de autenticidade do ouro com auxílio da alquimia, levando muitos ao engano e prejuízo.

Logo que foi adotado a técnica de cunhagem, a moeda passou a refletir valores políticos ter peso e valor definido e garantido pelo seu emissor, agora o povo não precisaria mais de balanças e métricas se eles tivessem confiança no valor da moeda conferido no processo de cunhagem.

do metal ao papel

Uma das profissões de grande confiança na idade média era a do ourives, que não só atestava a autenticidade do ouro como também era responsável pela sua segurança (semelhante como o banco funciona hoje). Imagine em uma época que a segurança era precária e acumular riqueza em moedas de ouro era tão perigoso quanto os dias de hoje, dessa forma todos confiavam no ourives, que armazenava o ouro lhe entregava um papel assinado, garantindo que seu ouro estaria lá, armazenado em segurança. Com o passar do tempo percebeu-se a facilidade de negociar as notas promissórias que os ourives assinavam, invés de carregar quilos de ouro, muitas vezes por grandes distancias, o papel era simples, fácil de armazenar e tinha o mesmo valor que as moedas de ouro cunhadas pelo estado.

E logicamente, os governantes não gostaram nada de saber que seu ouro cunhado era estocado em pequenos bancos, enquanto notas promissórias eram circuladas conferindo o mesmo valor equivalente, a solução então foi centralizar esse processo, criando uma moeda escritural emitido pela autoridade oficial da nação, um papel com valor impresso que deu origem ao dinheiro de papel como conhecemos hoje, e o estado agora garantia o lastro em ouro do seu papel-moeda.

Se antes de 1971 para cada dólar que se tinha haveria de ter um equivalente em ouro, o presidente dos Estados Unidos na época, Richard Nixon havia executado o cancelamento unilateral da conversão do dólar para o ouro, junto a uma série de outras medidas econômicas que futuramente iria ficar conhecido como Choque Nixon, que daria abertura para a adesão global do sistema de câmbio flutuante e uso de moedas como título não conversível, as chamadas moedas fiduciárias, cujo valor é atribuído apenas pela confiança no estado e no concepção de como a sociedade enxerga o dinheiro. Não há valor intrínseco, just FIAT money.

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